22 de agosto de 2016

Maquiavel deveria ter conhecido Serra

Por Glauber Cardoso Carvalho


Estátua de Nicolau Maquiavel, em Florença.

As Olimpíadas do Rio 2016 foram tão criticadas antes, quanto festejadas ao final. Cerca de 15 dias de esportes em diversos locais da cidade, de alegrias e festas. Transporte e turismo que funcionam, obras terminadas, não teve uma notícia sobre problema em aeroporto e a zica deve ter tomado aquele famoso chá... de sumiço... o mesmo aconteceu com outros temas... Os jogos esconderam denúncias e delações premiadas que envolvem diretamente nossos atuais líderes políticos. Também abafaram a repercussão da votação dos senadores em levar a presidenta eleita ao julgamento político. Sobretudo, submergiram na Babel carioca as notícias acerca da crise da nossa região, da nossa integração.

Não fossem interinos, nossos governantes, as atitudes da diplomacia se justificariam, a médio prazo, na necessidade da reconstrução liberal da imagem do Brasil, da reinserção internacional do país, conforme já foi discutido por Bernardo Rodrigues aqui no blog. Não tivessem a certeza da continuidade e do sucesso do processo que corre no nosso Senado Federal, não mostrariam todas as cartas do baralho, como em um jogo de iniciantes. Mas têm.

1 de agosto de 2016

Desequilíbrios globais, moeda estatal e demanda efetiva

Por André Saboya

Imagem: mozreal.com



O fenômeno dos desequilíbrios globais refere-se ao aumento dos superávits e dos déficits em conta corrente em nível mundial. No período anterior à crise de 2008, esse desequilíbrio aumentou com o aumento dos déficits dos grandes países importadores e dos superávits dos grandes países exportadores. A suscetibilidade da economia mundial à crise aumenta caso os gastos relacionados a essas trocas internacionais não sejam sustentados. Esse fenômeno pode ser explicado pelos conceitos de moeda estatal e demanda efetiva.

Sob a perspectiva dos desequilíbrios globais, o crescimento da economia mundial nos últimos anos, principalmente no período anterior à crise de 2008, tem sido acompanhado por um aumento do desequilíbrio entre as contas correntes dos países. Em períodos de crescimento econômico, os grandes países exportadores (Alemanha, Japão, China,) exportam (ofertam) mais, enquanto os grandes países importadores (Estados Unidos e outros países europeus) importam (demandam) mais. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, responsável por garantir a liquidez internacional, garante o crescimento econômico ao ofertar mais moeda do que demanda.


28 de julho de 2016

Saída do Reino Unido da União Europeia

Texto adaptado da sinopse disponível no site TV Justiça
Entrevista disponível no Canal Justiça Sem Fronteiras do YouTube.

O programa "Direito sem Fronteiras", de 18 de julho de 2016, promoveu debate sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Para o doutor em Economia Política Internacional, Luiz Felipe Osório (UFRRJ), um dos entrevistados do programa, ainda há um grande caminho para que a União Europeia negocie como será a feita a saída do Reino Unido. “Até 2018 há muita questão pontual a ser negociada. Eu penso que em relação ao comércio e às finanças, o Reino Unido não vai perder muito. Porém, pelo lago geopolítico, traz uma questão muito sensível à realidade, não só da Europa, como a realidade do mundo, como um todo”, disse ele.

O Reino Unido é o primeiro integrante a deixar o bloco. Por isso, não há um caminho a ser seguido e, sim, a ser construído. Ninguém sabe ao certo o tempo e os percalços que os dois lados vão enfrentar até a retirada definitiva. Até agora, apenas um ponto é claro: seja qual for a negociação, a União Europeia não pode deixar no ar que essa decisão seja seguida facilmente por outro país. “Os negociadores europeus não podem deixar barato a saída de um de seus membros porque isso poderia estimular toda uma série de saídas semelhantes”. A afirmação é do professor e doutor em Ciência Política Carlos Roberto Pio, o segundo entrevistado do programa.

Assista à entrevista completa:




25 de julho de 2016

Israel e Colômbia: dois pontos de uma mesma reta estadunidense

 Por Bernardo Salgado Rodrigues

Historicamente, a política estadunidense possui uma gênese, em qualquer espaço geográfico: a submissão de políticas nacionais em detrimento de seus interesses globais, seja pela coerção e/ou pelo consentimento. A partir de pontos estratégicos, seja em terra, mar ou espaço, os Estados Unidos construíram a maior força militar jamais vista na história, contando com bases militares em todos os continentes do mundo[1][2], com seus Unified Combatant Commands[3], 4,35% do PIB no setor (2012)[4] e correspondendo a aproximadamente 34% do PIB global em gastos militares (2014)[5]. Como estratégia global, a análise da presença expressiva do imperialismo estadunidense tomando como exemplos a Colômbia e Israel apresenta papéis geoestratégicos convergentes em ambos países no que se refere à política externa dos Estados Unidos no século XXI.

A partir de um exame geopolítico e dialético, os países que aparentemente não possuem nenhuma relação entre si passam a ser visualizados como dois pontos de uma mesma estratégia. Em termos geográficos, Israel é o ponto eqüidistante entre Paris e Pequim, cujo controle dos EUA impede a criação de um projeto de Eurásia, que seria altamente preocupante para seus interesses globais. Implicações geopolíticas históricas clássicas (seja através das análises de Mackinder, Mahan e Spykman) e atuais (Mello, Moniz Bandeira e Fiori) podem ser explicadas a partir dessa chave interpretativa a fim de qualificar o papel vital de Israel na região do Oriente Médio para os interesses estadunidenses. Da mesma forma a Colômbia, consistindo no ponto eqüidistante dos EUA até a Terra do Fogo, sendo um país geoestratégico para a dominação hegemônica estadunidense na América, uma vez que desse país sul-americano se pode deslocar para qualquer ponto da região, consistindo num "heartland americano", parafraseando Mario Travassos.