15 de novembro de 2017

Dossiê Malvinas: A Guerra das Malvinas/Falklands

Por Mário Afonso Lima

Falklands, Campaign, (Distances to bases) 1982. Department of History, United States Military Academy


No ano de 1982, a Argentina, sob o governo da Junta Militar, declarou a invasão e a tomada das Ilhas Malvinas/Falklands, reivindicando o território como possessão argentina. Colocado dessa forma, a decisão do governo argentino parece como um devaneio de um governo militar, que busca desviar a atenção da sua população, uma vez que vinha enfrentando diversas dificuldades economicas e financeiras e civis. Como aponta Moniz Bandeira, a Argentina se encontrava em uma crise econômica gravíssima, que via o seu PIB cair vertiginosamente, chegando a um total de 14%, enquanto a sua divida pública cresceu quase 30% apenas de 1980 até 1982 (MONIZ BANDEIRA, 2012).

Visto uma grave crise econômica e um apoio cada vez mais decrescente da população, a questão Malvinas parecia uma oportunidade boa demais para que o governo de Galtieri deixasse passar. (NORPOTH, 1987). Segundo Helmut Norpoth, a Guerra das Malvinas/Falklands foi resultado de uma série de cálculos estratégicos errados por ambas as partes do conflito.

13 de novembro de 2017

O cenário dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil

Por Letícia Loureiro


http://celuloseonline.com.br/

Na América Latina, o Brasil é o país que mais recebe investimentos estrangeiros diretos, seguido por México, Chile, Colômbia e Peru. Dentro desse ranking, os únicos países latino-americanos que aparecem entre as vinte maiores economias receptores de investimentos estrangeiros diretos são Brasil e México, de acordo com o relatório global de investimentos da Conferencia das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)¹.

O investimento estrangeiro direto (IED) é um investimento duradouro realizado por uma empresa em outra economia. Algumas das opções para uma empresa entrar no país que deseja investir são: construir uma nova planta industrial, comprar ou se fundir com uma empresa já operante no país ou realizar uma parceria com alguma empresa local. Dessa forma, o diferencial do IED está em não ser um investimento de curto prazo e volátil, como é o caso do capital especulativo, que pode “fugir” do país quando desejar. No Brasil, há diversas oportunidades para investimentos em setores como energia, indústria automotiva, infraestrutura, biotecnologia, entre outros.

8 de novembro de 2017

Dossiê Malvinas: As Ilhas Malvinas antes da Guerra


Por Laura Emilse Brizuela, do blog Pauta Global


Introdução*





Passados já 35 anos da guerra das Malvinas, muitas são as investigações, dissertações e teses, debates e reflexões em torno do conflito armado. As discussões com frequência alcançam altos graus de paixões e costumam se focar em 1982. Surpreende-me que acadêmicos dos mais variados ramos da Ciência, incluso das Relações Internacionais, esqueçam dos acontecimentos que deram lugar à reclamação argentina para se centrar (mais uma vez) no trágico enfrentamento militar.

“Por que vocês, argentinos, querem tanto essas ilhazinhas?” “Como é que pensaram que poderiam ganhar de uma potência naval como a Inglaterra?” “Vocês realmente acreditam que algum dia vão tê-las de volta?” “Você iria pra guerra para recuperá-las?”, me perguntam não poucas vezes. Para ser honesta, quase nunca respondo com seriedade. Trata-se de um tema longo, complicado, e que, queira ou não, me afeta. Como afeta a grande maioria dos argentinos. Isto, talvez se explique no que Molina (1995) chama de “senso de continuidade histórica” que nós temos.

Se ha perdido una batalla, pero no la guerra, se ha dicho y repetido muchas veces en la historia, en algunos casos hasta por vía de consuelo. Pero la expresión, como otras de la misma índole e iguales intenciones, revelan cierto estado de continuidad histórica y crítica. En la Argentina no hemos abandonado la idea de la recuperación de las islas Malvinas como vibrante y permanente objetivo nacional. Este culto ya ha cumplido con exceso 150 años de ininterrumpida vigencia. El pueblo argentino no abandona ni abandonará su tesis reivindicatoria y la reciente guerra ha exaltado esos sentimientos. Es con mucha frecuencia que escuchamos en nuestros hogares, en las calles y las plazas, talleres y mercados, en todo tipo de reunión o simple encuentro: Otra vez será. Los padres dicen a sus hijos, y los futuros padres lo repetirán a su debido tiempo. Yo no pude, pero mis hijos lo podrán. O mis nietos o mis bisnietos. Pero un día las islas volverán a ser nuestras. Nadie lo dude, ya hemos dicho. (Molina, 1995, p.196)[1]

6 de novembro de 2017

O 19º Congresso do Partido Comunista da China e a consolidação do poder de Xi Jinping

Por Victor Carneiro Corrêa Vieira


Xi Jinping(C), general secretary of the Central Committee of the Communist Party of China (CPC), and the other newly-elected members of the Standing Committee of the Political Bureau of the 19th CPC Central Committee Li Keqiang (3rd R), Li Zhanshu (3rd L), Wang Yang (2nd R), Wang Huning (2nd L), Zhao Leji (1st R) and Han Zheng, meet the press at the Great Hall of the People in Beijing, capital of China, Oct. 25, 2017. (Xinhua/Li Tao) Site: http://china.org.cn


Terminou, no dia 24 de outubro, o 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh), decretando o início de uma “nova era” para o país, que se prepara nos próximos anos para a comemoração do centenário de fundação do partido, em 2021. Iniciado no último dia 18 com um discurso com mais de três horas de duração proferido por Xi Jinping para um público de 2338 delegados, o congresso confirmou o nome do presidente chinês para seu segundo mandato, reestruturou a alta cúpula política do governo e estabeleceu as diretrizes para os próximos cinco anos. Mas o que isso significa para o futuro do poder na China?

“Assegurar uma vitória decisiva na construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos e se esforçar para o grande sucesso do socialismo com características chinesas para uma nova era”, esse foi o título do discurso proferido por Xi Jinping na abertura do congresso (LIVE..., 2017). Um pronunciamento que estabeleceu um guia de quatorze pontos[1] a serem perseguidos pelo partido, exaltou conquistas dos últimos cinco anos, lembrou os cem anos da revolução russa para enaltecer o “socialismo com características chinesas” e as guerras do ópio (entre 1839 e 1860) e a humilhação sofrida pelo povo chinês para avivar o nacionalismo e promover o “sonho chinês de rejuvenescimento nacional”.