3 de setembro de 2018

A nova corrida espacial: o céu é a nossa vizinhança

Por Ana Carolina Aguiar Simões Castilho

Pixabay


Em 17 de julho de 1975, algo inédito acontecia na órbita da Terra, uma acoplagem entre a nave estadunidense Apollo 18 e a nave soviética Soyuz 19. Concretizava-se a missão Apollo-Soyuz. O “aperto de mão orbital” se deu não só entre as naves, mas também entre seus tripulantes. Astronauta e cosmonauta[1]trocaram abraços, bandeiras, certificados, medalhas comemorativas e ainda sementes de árvores para serem plantadas em seus respectivos países, — vale ressaltar ainda que a comunicação se deu através da língua do outro. Esse evento marcou não só um grande avanço tecnológico, dado a dificuldade da docagem, até mesmo porque nenhuma das duas naves tinha sido projetada especificamente para isso, mas também simbolizou uma diminuição das tensões da Guerra Fria e uma mudança nas diretrizes da exploração espacial, a competição deu lugar à cooperação.

Apesar das tensões terem reascendido no final da década de 70, com o surgimento de projetos como o Guerra nas Estrelas[2], com o fim da Guerra Fria, intensificou-se a ideia de colaboração internacional para a exploração do espaço. Somando-se a isso a vontade de conseguir uma presença permanente no espaço, levou-se ao desenvolvimento da Estação Espacial Internacional (EEI), com participação da Rússia, Estados Unidos, Japão, Canadá e Agência Espacial Européia[3]. No entanto, de lá pra cá alguns acontecimentos parecem ter perturbado essa atmosfera cooperativa. 

30 de julho de 2018

Resenha do livro “BRICS e o Futuro da Ordem Global” (Oliver Stuenkel)

Por Rafaela Mello




STUENKEL, Oliver. BRICS e o futuro da Ordem Global. São Paulo: Paz e Terra, 2007. 290p.


A importância dos BRICS vem crescendo vigorosamente, sobretudo na última década, período em que dois acontecimentos sucederam uma favorável situação aos países emergentes e propiciaram a formação desse grupo. Após o atentado de 11 de Setembro e a Crise de 2008, é possível perceber uma ascensão da importância dos países que formam os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no cenário internacional, sobretudo na área de segurança e na economia, uma vez que estes eventos provocaram uma mudança na ordem liberal, característica da década de 1990. 

O livro BRICS e o Futuro da Ordem Global (2017), escrito por Oliver Stuenkel, traz uma importante ótica sobre esta estrutura que contesta, em partes, a ordem ocidental estabelecida. A obra visa demonstrar um panorama sobre a formação dos BRICS, apresentando o conhecimento sobre os países que constituem este grupo e os aspectos que os reúnem. A organização do livro ocorre por capítulos que abordam os principais temas que edificam a formação do grupo. 

Oliver Stuenkel é professor de Relações Internacionais que possuiu um extenso e riquíssimo currículo em sua carreira acadêmica. Suas pesquisas versam sobre as potências emergentes e seus impactos na governança global. Sua atuação em diversos eventos acadêmicos nacionais e internacionais demonstram seu grande conhecimento sobre os temas relacionados ao grupo BRICS. 

25 de junho de 2018

Uma breve análise sobre a criação de uma Força Espacial por Trump e seus possíveis desdobramentos

Por Caroline Rocha Travassos Colbert 

FONTE DA IMAGEM: SAPOTEK


A preocupação dos Estados Unidos em relação à segurança de seus satélites levou Senado a iniciar em agosto de 2017, uma proposta de criação de uma legislação que orientaria o Departamento de Defesa a construir um novo “Corpo Espacial” dentro da Força Aérea. Mesmo rejeitada pelo congresso norte-americano logo em novembro, este projeto despertou entre os republicanos um senso de necessidade de investimento no setor militar espacial. 

Os defensores de um Space Corps afirmavam que o Pentágono seria o culpado por não ter priorizado a segurança espacial nos últimos anos, e essa desatenção teria dado aos russos e chineses oportunidades de alcançar a superioridade militar norte-americana. Um dos principais opositores a esta proposta foi o próprio Exército, que argumentou que o Congresso deveria apoiar o envio de mais recursos para a Força Aérea ao invés de força-los a iniciar um Corpo Espacial, o que geraria mais burocracia em tempos de guerra (BERMAN, 2017). 

As mudanças que emergiram deste acordo entre o Senado e o Congresso habilitariam o Comando Espacial da Força Área como “a única autoridade para organizar, treinar e equipar” todas as forças espaciais da Força Aérea, cedendo ao Comando Espacial uma autonomia maior, mesmo ainda pertencendo à U.S Air Force (USAF). Também transforma o Operationally Responsive Space Office em Space Rapid Capabilities Office reportando-se diretamente ao Comando Espacial da Força Aérea (HARRISON, 2017). Esta resolução deu mais responsabilidade e autoridade ao Comando Espacial da Força Aérea por aquisições espaciais, gerenciamento de recursos, requisitos, combate de guerra e desenvolvimento de pessoal, ou seja, mais autonomia dentro da USAF e a possibilidade de construção de um quadro espacial mais forte com o objetivo de operar independentemente no futuro (ERWIN, 2017). 

18 de junho de 2018

O papel da guerra na conformação da ordem mundial

Por Bernardo Salgado Rodrigues*



Desde a constatação dos primeiros primatas, a violência acompanhou o homo sapiens em seu processo evolucionário. Neste trajeto, com a formação de grupos nômades surgiram também os primeiros conflitos internos, que se separavam dos conflitos externos com outros grupos, interpretado como a forma primitiva do fenômeno da guerra, que se transforma numa condição da unidade e da identidade interna de cada um destes grupos ou tribos. A guerra, tal qual a conhecemos na atualidade, somente viria a surgir com a formação das fronteiras territoriais e com a ascensão dos primeiros impérios e civilizações, aproximadamente no terceiro milênio antes da Era Cristã, se generalizando e se transformando no principal instrumento organizado e sistemático de conquista e de dominação entre os povos e os impérios. Qualitativamente, a guerra começa a sofrer uma mudança substancial a partir dos séculos X e XI d.C., com o aumento da competição interna e da centralização do poder, com o início da expansão externa dos pequenos poderes territoriais europeus que dariam origem aos Estados nacionais da Era Moderna, com o Tratado de Vestfália de 1648, e com o papel do poder e da guerra na formação, expansão e globalização do sistema europeu de Estados e economias nacionais.

Essa originalidade dos europeus − tanto na criação dos Estados nacionais como em fazer da própria guerra um mecanismo regular de acumulação de riqueza e, simultaneamente, fazer da acumulação da riqueza um instrumento regular de conquista e acumulação de poder − transformou a guerra em componente sistêmico do processo de expansão do poder e do território dos Estados e do próprio sistema estatal como um todo dentro e fora da Europa. Num sistema global de poder que se configura pela assimetria, hierarquia e competição, há um elo histórico entre a guerra e o estabelecimento de um mercado mundial e economia global, cuja ordem econômica e política internacional se configura como variável dependente e, como variável independente, a guerra.