16 de agosto de 2019

“Não sei se vou ou se fico”: o destino do Reino Unido e o Brexit

Volume 6 | Número 63 | Ago. 2019

Por Ana Paula Moreira Rodriguez Leite 
Mônica Leite Lessa



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Em meados de 2016, um referendo abriu mais um capítulo do que aprofundaria a crise política no Reino Unido. O resultado positivo referendava a saída desta região da União Europeia, conhecido como Brexit, e que teve imediata relação com a crise econômica e com o sentimento de xenofobia aprofundado pelo aumento exponencial do fluxo de refugiados na maioria de países da UE. Nas linhas que seguirão, faremos uma breve análise de conjuntura dos fatores que levaram ao que, à época, fora considerado um Cisne Negro nas relações internacionais.

Na década de 1970, inicia-se um novo arranjo de caráter mais abrangente ampliando-se as relações interestais para a construção de uma arquitetura global da economia. Redefiniu-se, a partir de então, o locus dos Estados e suas atribuições, seja na gestão dos problemas internos ou internacionais. Na contramão do projeto neoliberal que vinha se definindo, a União Europeia adotava medidas protecionistas em diversos âmbitos, porém, na esfera financeira se consolidou diversas agências reguladoras compondo o futuro sistema financeiro internacional.

Em contrapartida, os Estados que compõem a UE empreenderam investimentos maciços em infraestrutura, sobretudo, aqueles localizados mais ao sul com o objetivo de reduzir as assimetrias entre os parceiros, objetivo principal de um processo de integração regional. A criação e o atendimento à uma amplitude de mercados confere um proeminente potencial econômico exigindo o fortalecimento institucional e eficiência na cooperação entre os atores.

12 de agosto de 2019

Desdolarização e Geopolítica: cenários geoeconômicos do século 21

Volume 6 | Número 63 | Ago. 2019

Por Roberto Rodolfo Georg Uebel 
e Glória Maria Sandi


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A economia global sofreu muitas transformações ao longo das últimas duas décadas. O dólar não representa mais o que era antes. O padrão de referência da moeda norte-americana passou a ser contestado a cada novo ciclo de crises, incluindo novas potências emergentes neste processo, como Brasil, Rússia, Índia e China. Qualquer semelhança com a contra-hegemonia dos BRICS não é mera coincidência, entretanto, os impactos são globais: na OPEP, no Oriente Médio e na Venezuela, para citarmos os casos mais recentes. O nome deste processo: desdolarização.

Os benefícios inerentes a um país cuja moeda é aquela considerada a reserva internacional sobrepujam o antigo padrão-ouro, substituído pelo dólar norte-americano em Bretton Woods, que está próximo do seu aniversário de 80 anos. Se a comemoração for em Washington e em Londres, o after-party será em Bejing. A desdolarização segue a nova rota da seda global e lança a moeda chinesa, o RMB, como instituição monetária paralela àquelas tradicionais como o FMI, Banco Mundial e Banco Central Europeu.

Elementos como a desconfiança após as crises de 2008 e 2012, a substituição do dólar pela rúpia indiana pelos parceiros da Índia, pelo real pelos parceiros do Brasil e pelo rublo, pelas nações satélites à Rússia, bem como a ascensão da tecnologia, que facilitou a transação em diferentes moedas, impulsionaram a contestação da moeda norte-americana e a sua hegemonia global. Todavia, o dólar não vai desaparecer.

9 de agosto de 2019

Eleições na Argentina - 2019: o lugar do trabalhador no kirchnerismo e no macrismo

Volume 6 | Número 63 | Ago. 2019


Por Laura Emilse Brizuela

Imagem: InfoBae


As eleições Primárias, Abertas, Simultâneas y Obrigatórias (PASO) do domingo próximo, dia 11/08/2019, darão início ao calendário eleitoral argentino, e com isso, à possibilidade de mudança (ou não) do panorama político, econômico e social do país. As eleições gerais acontecerão no 27 de outubro e os pesos pesados são, por um lado, a chapa Alberto Fernández para presidente e Cristina Fernández de Kirchner para vice, os “Fernández-Fernández”, que coloca a ex-presidente em um lugar de menor protagonismo, supostamente. Muito tem se especulado na imprensa argentina sobre essa decisão de Cristina. A doença da filha e a necessidade de estar mais disponível para a sua família aparecem, segundo Cristina, como uma das principais razões. Poderia se tratar também de uma estratégia para lidar melhor com a polarização que seu nome provoca. Contudo, e embora Alberto Fernández seja polêmico em suas afirmações e modos (o que daria muito pano para as manchetes), Cristina continua tendo um papel predominante na grande imprensa, que se esmera em retratá-la negativamente. Ela mesma assegura, no seu livro “Sinceramente”, lançado nesse ano que "se a mídia hegemônica tivesse coberto meu governo com um 10% do que fazem com Mauricio Macri, eu teria sido Gardel[1].(KIRCHNER, 2019, p. 48)

Se a grande mídia está contra Cristina, está claro que ainda apoia o Macri, que é o outro peso pesado dessas eleições, sendo a proposta de Juntos por el Cambio: Mauricio Macri presidente, Miguel Ángel Pichetto vice. A ajuda da mídia para o macrismo é evidente, e mesmo com algumas exceções de programas que de vez em quando criticam a atual gestão, e apenas um canal opositor; a vasta maioria de canais e jornais ainda justificam o péssimo desempenho do macrismo. A falta de tempo “para consertar os erros do kirchnerismo” costuma ser a desculpa, mesmo que se esteja perto de cumprir os 4 anos de governo. 

A proposta desse artigo é refletir sobre duas posições políticas e ideológicas dicotómicas: a kirchnerista, que poderia ser entendida como uma política estatal de corte keynesiano, que lembra muito a primeira presidência de Juan Domingo Perón (1946-1952), pela busca do aumento da demanda como vetor de saída da crise; e a macrista, que se encaixa nas premissas do neoliberalismo mais neo.