25 de junho de 2018

Uma breve análise sobre a criação de uma Força Espacial por Trump e seus possíveis desdobramentos

Por Caroline Rocha Travassos Colbert 

FONTE DA IMAGEM: SAPOTEK


A preocupação dos Estados Unidos em relação à segurança de seus satélites levou Senado a iniciar em agosto de 2017, uma proposta de criação de uma legislação que orientaria o Departamento de Defesa a construir um novo “Corpo Espacial” dentro da Força Aérea. Mesmo rejeitada pelo congresso norte-americano logo em novembro, este projeto despertou entre os republicanos um senso de necessidade de investimento no setor militar espacial. 

Os defensores de um Space Corps afirmavam que o Pentágono seria o culpado por não ter priorizado a segurança espacial nos últimos anos, e essa desatenção teria dado aos russos e chineses oportunidades de alcançar a superioridade militar norte-americana. Um dos principais opositores a esta proposta foi o próprio Exército, que argumentou que o Congresso deveria apoiar o envio de mais recursos para a Força Aérea ao invés de força-los a iniciar um Corpo Espacial, o que geraria mais burocracia em tempos de guerra (BERMAN, 2017). 

As mudanças que emergiram deste acordo entre o Senado e o Congresso habilitariam o Comando Espacial da Força Área como “a única autoridade para organizar, treinar e equipar” todas as forças espaciais da Força Aérea, cedendo ao Comando Espacial uma autonomia maior, mesmo ainda pertencendo à U.S Air Force (USAF). Também transforma o Operationally Responsive Space Office em Space Rapid Capabilities Office reportando-se diretamente ao Comando Espacial da Força Aérea (HARRISON, 2017). Esta resolução deu mais responsabilidade e autoridade ao Comando Espacial da Força Aérea por aquisições espaciais, gerenciamento de recursos, requisitos, combate de guerra e desenvolvimento de pessoal, ou seja, mais autonomia dentro da USAF e a possibilidade de construção de um quadro espacial mais forte com o objetivo de operar independentemente no futuro (ERWIN, 2017). 

18 de junho de 2018

O papel da guerra na conformação da ordem mundial

Por Bernardo Salgado Rodrigues*



Desde a constatação dos primeiros primatas, a violência acompanhou o homo sapiens em seu processo evolucionário. Neste trajeto, com a formação de grupos nômades surgiram também os primeiros conflitos internos, que se separavam dos conflitos externos com outros grupos, interpretado como a forma primitiva do fenômeno da guerra, que se transforma numa condição da unidade e da identidade interna de cada um destes grupos ou tribos. A guerra, tal qual a conhecemos na atualidade, somente viria a surgir com a formação das fronteiras territoriais e com a ascensão dos primeiros impérios e civilizações, aproximadamente no terceiro milênio antes da Era Cristã, se generalizando e se transformando no principal instrumento organizado e sistemático de conquista e de dominação entre os povos e os impérios. Qualitativamente, a guerra começa a sofrer uma mudança substancial a partir dos séculos X e XI d.C., com o aumento da competição interna e da centralização do poder, com o início da expansão externa dos pequenos poderes territoriais europeus que dariam origem aos Estados nacionais da Era Moderna, com o Tratado de Vestfália de 1648, e com o papel do poder e da guerra na formação, expansão e globalização do sistema europeu de Estados e economias nacionais.

Essa originalidade dos europeus − tanto na criação dos Estados nacionais como em fazer da própria guerra um mecanismo regular de acumulação de riqueza e, simultaneamente, fazer da acumulação da riqueza um instrumento regular de conquista e acumulação de poder − transformou a guerra em componente sistêmico do processo de expansão do poder e do território dos Estados e do próprio sistema estatal como um todo dentro e fora da Europa. Num sistema global de poder que se configura pela assimetria, hierarquia e competição, há um elo histórico entre a guerra e o estabelecimento de um mercado mundial e economia global, cuja ordem econômica e política internacional se configura como variável dependente e, como variável independente, a guerra. 

11 de junho de 2018

Doutrina Trump: As implicações ao tradicional alinhamento transatlântico

Por Fernando Rocha Vieira


Pixabay


A vitória de Trump na corrida pela presidência dos Estados Unidos salienta a preferência do eleitorado estadunidense pela proposta isolacionista cujo discurso se assenta na sobreposição dos interesses da segurança nacional em detrimento ao padrão dos governos anteriores, sobretudo ao de Obama, de ação multilateral no sistema internacional para ganhos mútuos. Ainda que, implicitamente, a razão da conquista do novo governo deva-se estritamente ao desagrado da fuga de empregos para países periféricos, e não contra a posição de predominância no âmbito internacional, a política externa realista unilateral da doutrina Trump se distingue das demais em função da distensão de estratégias e objetivos historicamente comuns à parceria dos Estados Unidos com a Europa ocidental.

30 de maio de 2018

Luiz Felipe Osório publica reflexão radical sobre o Imperialismo

Publicado originalmente no site OEstadoRJ de 30/04/2018

Livro pode ser encontrado na Saraiva, Cultura e Travessa


Luiz Felipe Brandão Osório, professor e coordenador da graduação em relações internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), lança Imperialismo, Estado e Relações Internacionais pela Série Direito e Críticada Editora Ideias & Letras.

A obra expõe uma leitura crítica e radical sobre o imperialismo e sua implicação no âmbito das relações internacionais: atrelando estruturalmente imperialismo a capitalismo.

Segundo Osório, a dominação capitalista necessariamente se faz mediante a forma política estatal, mas esta se desenvolveu no plural, em Estados, erigindo, nesse espaço concorrencial da valorização do valor, o imperialismo. Este livro enfatiza a importância de pensar a multiplicidade de Estados como traço estruturante do capitalismo, em similitude às ideias de Claudia von Braunmühl.

A mais alta investigação a respeito do tema

Osório propõe aqui que as leituras marxistas sobre o imperialismo sejam compreendidas a partir de grandes momentos históricos que lhe forneceram bases. Denomina por debate pioneiro o pensamento do final do século XIX e do início do século XX, perpassando as ideias de Hilferding, Rosa Luxemburgo, Kautsky, Bukharin e Lênin. Em sequência, sistematiza o pensamento a respeito do imperialismo produzido ao tempo do fordismo, nos meados do século XX. Aqui estão enfeixadas as leituras do capital monopolista, as teorias marxistas da dependência e, ainda, as visões de Wallerstein, Arrighi e Amin. Por fim, abre-se a reflexão sobre o imperialismo nos tempos do pós-fordismo, produzindo, desde as últimas décadas do século XX até hoje, a mais alta investigação teórica a respeito do tema.

Politicismo, parcial politicismo e plena crítica

Muito do debate crítico das décadas atuais esteve centrado na dicotomia imperialismo versus Império, envolvido pelos termos de Negri. Avançando para além disso, Osório propõe que a reflexão marxista sobre o imperialismo na atualidade pós-fordista seja pensada a partir dos diapasões de politicismo, parcial politicismo e plena crítica.

O autor

Luiz Felipe Brandão Osório tem graduação em direito pela UFJF, mestrado e doutorado em economia política internacional pela UFRJ e pós-doutorado em ciências sociais aplicadas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente é professor e Coordenador do Curso de Relações Internacionais da UFRRJ.