15 de setembro de 2020

O Brasil, as Forças Armadas e a riqueza da miscigenação do país

Volume 7 | Número 75 | Set. 2020


Por Gustavo Daniel Coutinho Nascimento


“Somos um país com mais de 200 milhões de habitantes, cuja população contém em si própria riquezas geradas desde 1500, decorrentes da miscigenação em que as três raças se mesclaram, cada uma delas aportando características ímpares. A criatividade, a alegria de viver, a tolerância, a adaptabilidade, a resiliência, a religiosidade, o sentido de família, o patriotismo, enfim, esses e outros atributos são como uma vasta produção de frutos, à espera de serem colhidos e colocados na grande cesta da nacionalidade brasileira.” (General Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, antigo Comandante do Exército) [i]

A miscigenação é uma das características mais marcantes da sociedade brasileira e a ela intrínseca e indissociavelmente está ligada. Dos povos indígenas pré-cabralinos, passando pela colonização portuguesa, a escravidão, as invasões holandesas e francesas, chegando às imigrações do início do século XIX e XX, o povo brasileiro se tornou um amálgama indissolúvel de etnias. As Forças Armadas (FFAA), compostas por um extrato da população, homens e mulheres, são, por sua dimensão em efetivo (364.409 militares em julho de 2019, BRASIL, 2019) e por sua capilaridade em todo o território nacional, uma amostra significativa dessa miscigenação, um retrato muito verossimilhante.


8 de setembro de 2020

As sanções econômicas estadunidenses ao Irã à luz do COVID-19

Volume 7 | Número 75 | Set. 2020




Por Laila Lorenzon e 
Ingrid Cagy Marra


Historicamente, o Irã sofre com diversas sanções econômicas e embargos impostos pelos Estados Unidos. O objetivo desse artigo é compreender a influência dessas sanções na economia e no desenvolvimento do país, desde que foram implementadas, no final dos anos 1990, e após de seu endurecimento no ano de 2018 pelo presidente Donald Trump. Nesse contexto, será feita uma análise do impacto das sanções estadunidenses à economia iraniana, através de reportagens e dados do Banco Mundial, e posteriormente uma análise histórica das ações desempenhadas pelo país no combate ao novo COVID-19. Espera-se concluir de que forma as restrições estadunidenses impactam a economia iraniana, como elas prejudicam a população do país e a sua capacidade de coordenar medidas no combate à pandemia, tendo em vista o colapso do sistema de saúde do Irã.


1 de setembro de 2020

Direitos Humanos em tempos de COVID-19: urgência na retomada econômica como potencializador de quadros de violação dos direitos humanos.

Volume 7 | Número 75 | Set. 2020





Por Cícero Hipólito


No final de 2019 o mundo assistia com atenção os esforços do governo chinês para conter o alastramento de um novo vírus pertencente a famílias Coronaviridae, o Sars-CoV-2 (GRUBER, 2020). Naquele momento, não havia conhecimento suficiente sobre o vírus e muito menos sobre a possibilidade de o mundo enfrentar uma nova pandemia. A nova variação do vírus é responsável por causar a doença COVID-19, que pode tanto manifestar quadros clínicos assintomáticos e leves, similares a de um resfriado (febre, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, entre outros), quanto variar para quadros respiratórios graves de pneumonia severa (MINISTERIO DA SAÚDE, 2020). 

O vírus teve seu primeiro surto em Wuhan, na China, em 12 de dezembro de 2019 e em 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (doravante OMS) declarou quadro de pandemia de COVID-19 (OPAS, 2020). Devido ao rápido aumento do contágio e, consequentemente, de mortes, as zonas de foco foram migrando conforme a expansão da doença: da China para a Europa, anunciado pelo Diretor Geral da OMS em discurso do dia 13 de março de 2020 (OMS, 2020), liderado pelo crescimento de casos na Itália; em seguida, as Américas surgem como novo epicentro da pandemia com a explosão de casos nos Estados Unidos, tornando-se o país com maior número de casos confirmados de COVID-19 do mundo no dia 26 de março (MCNELL JR., 2020). Atualmente, a América Latina se encontra no centro da pandemia com números crescentes de casos da doença. Nesse panorama o Brasil lidera o ranking de infectados e óbitos, ultrapassando a marca de mil óbitos em um dia pela primeira vez em 19 de maio, quando registrou 1.179 óbitos segundo dados da plataforma COVID-19 NO BRASIL do Ministério da Saúde (MINISTERIO DA SAÚDE, 2020). Até então, os únicos países que haviam contabilizado mais de mil óbitos em um único dia eram EUA, Reino Unido, China e França (JPS/OTS, 2020).

Com o alastramento da pandemia, a OMS incentivou medidas de distanciamento social e orientou que os países deveriam providenciar assistência social e econômica para as pessoas que se encontram em situação de maior vulnerabilidade. Em casos mais drásticos, o fechamento total de cidades, ou, até mesmo de países, a exemplo da Itália, Espanha e Argentina (SANT´ANNA, 2020). Também foi demonstrada com a experiência coreana que uma das importantes armas tanto para combater essa doença quanto para minimizar seus impactos econômicos é a testagem em massa (CARBINATTO, 2020). Dessa forma os governos poderiam estabelecer sistemas de inteligência para mapear a evolução do contágio e isolar os indivíduos já contaminados. A grande preocupação que circunda em todos esses cuidados é evitar a superlotação hospitalar e garantir aos indivíduos os devidos cuidados, com especial atenção aos casos graves. Conferindo, portanto, melhores chances de sobreviver à infecção.