11 de fevereiro de 2019

O papel da UNDP e a importância da sociedade civil na implementação do ODS 14

Por Francisco Marzinotto





ONU: Plataforma Agenda 2030. 


A chegada de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos significou um ataque aos interesses da comunidade internacional e ao multilateralismo da ONU. O discurso de America First do presidente em detrimento da governança global é perceptível ao se analisar os pronunciamentos na mídia e em plataformas internacionais de debate[1]. Sua eleição resultou na saída dos EUA da UNESCO, na retirada do Conselho de Direitos Humanos da ONU e no abandono do acordo de Paris sobre o clima. No Brasil, algo similar está acontecendo após a eleição de Jair Bolsonaro. Em um momento de nacionalismo exacerbado, que resulta no abandono de iniciativas mundiais para o desenvolvimento humano, se faz necessário um constante debate e reflexão acerca do papel das Organizações Internacionais e dos progressos mundiais alcançados através da cooperação internacional entre Estados e a sociedade civil.

A Nações Unidas surgiu após a Segunda Guerra como uma forma de reestruturar as relações internacionais do pós-guerra. Os objetivos centrais no contexto de sua fundação eram manter a paz e a segurança internacionais, fortalecer as relações entre as nações, fomentar a cooperação internacional e ser um cerne de debate para que tais objetivos e a paz universal fossem alcançados.[2]

6 de fevereiro de 2019

O fantasma de Bolívar

Por Bernardo Salgado Rodrigues



Parafraseando Karl Marx no contexto europeu do século XIX, em seu clássico livro do Manifesto[1]: "um espectro ronda a América Latina - o espectro de Bolívar." Tal como a "maldição" que o termo comunismo possui em algumas frações políticas latino-americanas, o termo bolivarianismo possui equidade no caráter pejorativo: toda e qualquer forma de buscar desqualificar alguma ação política que não atenda aos anseios de ditos grupos é taxado de comunismo ou bolivarianismo. 

Neste pequeno excerto, busca-se desmistificar o caráter pejorativo do termo bolivarianismo, devido ao próprio desconhecimento da figura histórica em alguns países, principalmente no Brasil. Simón Bolívar sempre foi uma figura polêmica, contraditória e mal-compreendida. Até mesmo Karl Marx, ao escrever o verbete sobre Bolívar na New American Cyclopaedia, de 1857, o retrata em termos preconceituosos ao repudiá-lo, comparando-o com Napoleão Bonaparte e o taxando de manipulador e ditador, afirmando que “o que Bolívar realmente almejava era erigir toda a América do Sul como uma única república federativa, tendo nele próprio seu ditador." (MARX, 2008, p.53)[2]

4 de fevereiro de 2019

Entre a Águia, o Dragão e o Urso: Como fica o Turpial na selva após a reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas?

Por Pablo Victor Fontes e Alana Camoça





Rudyard Kipling, autor colonialista, no livro “O Livro da Selva” de 1894 – que deu inspiração ao filme Mogli – o urso Baloo ensina a Mogli que “esta é a Lei da Selva, tão antiga e imutável quanto o céu; quando um lobo a viola, ele morre, mas prospera o lobo que é fiel”. Partindo do pressuposto que o mundo é uma selva, principalmente num sistema internacional onde há hierarquias e suas respectivas reproduções rotineiramente, cabe alguns questionamentos: Diante de uma realidade onde a lei (força de lei) dos mais fortes prevalece, o que ocorre com aqueles que não obedecem as regras da arquitetura do sistema internacional? E ainda, o que acontece quando os líderes da selva estão em dissenso?

A partir do excerto de Rudyard Kipling, compreendemos que a instabilidade político-econômica com que vem passando o turpial (animal símbolo da Venezuela) provoca em qualquer analista de política mundial uma redobrada atenção e um excessivo cuidado não apenas no uso das palavras, mas também diante da enxurrada de informações que circulam constantemente desde a reeleição do governo de Nicolas Maduro (2018). Nesta breve análise cabe evocar algumas questões que consideramos importantes para entendermos as ‘saídas’ e/ou mesmo ‘soluções’ diante da convulsão social que ganha às manchetes dos principais veículos de comunicação do mundo. 

21 de janeiro de 2019

Contendas geopolíticas na América do Sul


Por Bernardo Salgado Rodrigues




Em 1943, o artista uruguaio Joaquin Torres García criou a obra-prima "América invertida", visando, principalmente, a valorização e o desenvolvimento da cultura sul-americana. Com o icônico lema "Nuestro norte es el sur", a pintura se tornou um símbolo da integração regional autônoma e soberana, principalmente no início do século XXI, em que foram realizados saltos quantitativos e qualitativos na América do Sul no que tange às políticas integracionistas; entretanto, tal assertiva nem sempre foi uma constante na região. 

Segundo Buzan e Waever (2003), o Complexo de Segurança Regional da América do Sul é considerado do tipo padrão, de integração moderada, configurando-se como um meio termo de complexos conflituosos e complexos cooperativos. Historicamente, os autores analisam a formação desse Complexo da América do Sul em três períodos históricos. O primeiro, da descolonização e independência até a Guerra Fria, deixou marcas profundas na região na delimitação das fronteiras sul-americanas, com contendas geopolíticas até hoje presentes; o segundo, durante a Guerra Fria, possui um aumento de grau de ingerência dos Estados Unidos via interferência por penetração (unilateral ou consentida), ou seja, aliança com um Estado do Complexo com a finalidade de preservar seus interesses e manter o equilíbrio de poder; e o terceiro, pós Guerra Fria, formalizam-se os projetos de integração regional como incremento da cooperação pelo desenvolvimento de instituições. Assim, a América do Sul configura-se como um Complexo Regional de Segurança institucionalizado.