10 de junho de 2019

Resenha: Vinte anos da originalidade de "Estados e moedas"

Volume 6  |  Número 61  |  Jun. 2019


Por Bernardo Salgado Rodrigues * 




O esquecimento é um mal crônico do Brasil. Há falta de memória dos clássicos da literatura, da cultura popular, dos fatos históricos, da geografia inexplorada, do conhecimento inovador, do progresso nacional, da origem da riqueza das nações. Neste último quesito, o livro "Estados e moedas no desenvolvimento das nações" busca suprir essa lacuna ao retomar, sob uma perspectiva crítica, a centralidade do poder político dos Estados e do valor do dinheiro na organização do sistema mundial.

Igualmente à década de 1990, quando o livro foi lançado, a originalidade de "Estados e moedas" (1999) é a retomada de uma interditada discussão acerca das lutas de dominação do desenvolvimento econômico global e a distribuição desigual do poder e da riqueza entre as nações. Dividido em quatro partes, "Geopolítica e sistemas monetários", "Os 'capitalismo tardios' e sua projeção global", "'Milagres' e 'miragens' no século XX" e "Para retomar o debate brasileiro", o livro possui uma perspectiva histórica cuja permanência transcende a conjuntura, haja vista que os grandes debates, que ocorreram há vinte anos, ainda são extremamente contemporâneos. De tal modo, é considerado um ponto de inflexão no estudo da Economia Política Internacional no Brasil desde o ponto de vista metodológico e teórico, ao aprofundar a discussão de um grupo de pesquisadores que ininterruptamente militaram contra à ortodoxia liberal, com uma trajetória favorável à heterodoxia das estratégias de desenvolvimento a partir da perspectiva do poder.

3 de junho de 2019

Resenha – “No Man’s Land” e Textos de Greitens e Farrell

Volume 6  |  Número 61  |  Jun. 2019


Por Ana Carolina Dias Terra [1] 
e Rafaela Mello Rodrigues de Sá [2]


Fonte: IMDb

O filme Terra de Ninguém (No Man’s Land) de 2001 foi dirigido e escrito por Danis Tanovic e ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002, com sua nacionalidade bósnia. A obra cinematográfica conta a história de um episódio da Guerra da Bósnia, em que dois soldados feridos, um de cada lado do conflito, se encontram em uma das trincheiras consideradas “terra de ninguém”, entre as duas linhas inimigas. O principal conflito entre eles é garantir sua sobrevivência e de um terceiro soldado, bósnio, o qual está sobre uma mina prestes a explodir. A dinâmica do filme se dá pela busca de resgate conjunta, apesar da rivalidade entre suas diferentes nacionalidades. A ONU participa deste episódio com a chegada de militares internacionais que buscam concretizar o resgate, salvando a vida desses soldados. Dessa forma, é possível perceber que um filme que retrata apenas um episódio específico da guerra, consegue representar toda a dinâmica da guerra, com a descrição da atuação de diversos atores envolvidos: exército sérvio, exército bósnio, militares da ONU atuando nas operações de paz e a mídia. 

O filme, com grande qualidade técnica, utiliza artifícios interessantes para criar a atmosfera do conflito. A paleta de cor acinzentada, com tons esverdeados e amarelados, atribui destaque às cenas de sangue. Além disso, o uso de uma câmera detalhe, com takes aproximados, demonstra as emoções de desespero dos personagens. A relação entre o silêncio e a sonoplastia acentuada cria uma atmosfera de agonia, sentimento próprio de uma guerra. Desse modo, é possível afirmar que as opções técnicas feitas pelo diretor contribuíram para a construção de um clima que propiciou melhor imersão às adversidades do conflito.