2 de setembro de 2019

Resenha do texto "As três versões do Neo-Institucionalismo" de Peter Hall e Rosemary Taylor

Volume 6 | Número 64 | Set. 2019


Por Hellora Canedo Raibolt




HALL, Peter A.; TAYLOR, Rosemary C. R. As Três Versões do Neo-Institucionalismo. Lua Nova, nº58, 2003.


Com o objetivo de prover respostas acerca do neo-institucionalismo, visto que tal corrente não oferece uma via de pensamento unificado, Peter Hall e Rosemary Taylor examinaram trabalhos relevantes dentro da temática entre os anos 1980 e 1990, encontrando diferentes métodos de análise que se enquadravam no neo-institucionalismo. O texto foi primeiramente apresentado em 1994 no Congresso da American Political Science Association e foi originalmente publicado em 1996, em inglês. A versão utilizada para esta resenha foi a publicada em 2003, traduzida para o português. Peter A. Hall, quando escreveu o presente artigo era Professor de Ciência Política do Center for European Studies da Harvard University. Rosemary Taylor era Professora de Saúde Pública e Sociologia na Tuffs University e também era pesquisadora do mesmo Centro na Harvard University. 

Três métodos foram elucidados pelos autores, sendo eles: institucionalismo histórico, institucionalismo da escolha racional e institucionalismo sociológico. Os três métodos surgem como uma reação às perspectivas behavioristas que tinham muita força nas décadas de 1960 e 1970 e buscam aclarar o papel das instituições nos resultados políticos e sociais. Uma questão comum a todos os métodos é: como as instituições afetam o comportamento dos indivíduos? E, para esta pergunta os neo-institucionalistas oferecem duas respostas, uma na perspectiva calculadora e uma na perspectiva cultural, que dialogam sobre três tópicos principais: como os atores se comportam, o que fazem as instituições e por que as instituições se mantêm. A perspectiva calculadora tende sempre a responder dando destaque ao comportamento humano como instrumento para um cálculo estratégico, já a perspectiva cultural percebe que o comportamento humano jamais é inteiramente estratégico e é limitado à visão de mundo daquele próprio indivíduo.

16 de agosto de 2019

“Não sei se vou ou se fico”: o destino do Reino Unido e o Brexit

Volume 6 | Número 63 | Ago. 2019

Por Ana Paula Moreira Rodriguez Leite 
Mônica Leite Lessa



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Em meados de 2016, um referendo abriu mais um capítulo do que aprofundaria a crise política no Reino Unido. O resultado positivo referendava a saída desta região da União Europeia, conhecido como Brexit, e que teve imediata relação com a crise econômica e com o sentimento de xenofobia aprofundado pelo aumento exponencial do fluxo de refugiados na maioria de países da UE. Nas linhas que seguirão, faremos uma breve análise de conjuntura dos fatores que levaram ao que, à época, fora considerado um Cisne Negro nas relações internacionais.

Na década de 1970, inicia-se um novo arranjo de caráter mais abrangente ampliando-se as relações interestais para a construção de uma arquitetura global da economia. Redefiniu-se, a partir de então, o locus dos Estados e suas atribuições, seja na gestão dos problemas internos ou internacionais. Na contramão do projeto neoliberal que vinha se definindo, a União Europeia adotava medidas protecionistas em diversos âmbitos, porém, na esfera financeira se consolidou diversas agências reguladoras compondo o futuro sistema financeiro internacional.

Em contrapartida, os Estados que compõem a UE empreenderam investimentos maciços em infraestrutura, sobretudo, aqueles localizados mais ao sul com o objetivo de reduzir as assimetrias entre os parceiros, objetivo principal de um processo de integração regional. A criação e o atendimento à uma amplitude de mercados confere um proeminente potencial econômico exigindo o fortalecimento institucional e eficiência na cooperação entre os atores.

12 de agosto de 2019

Desdolarização e Geopolítica: cenários geoeconômicos do século 21

Volume 6 | Número 63 | Ago. 2019

Por Roberto Rodolfo Georg Uebel 
e Glória Maria Sandi


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A economia global sofreu muitas transformações ao longo das últimas duas décadas. O dólar não representa mais o que era antes. O padrão de referência da moeda norte-americana passou a ser contestado a cada novo ciclo de crises, incluindo novas potências emergentes neste processo, como Brasil, Rússia, Índia e China. Qualquer semelhança com a contra-hegemonia dos BRICS não é mera coincidência, entretanto, os impactos são globais: na OPEP, no Oriente Médio e na Venezuela, para citarmos os casos mais recentes. O nome deste processo: desdolarização.

Os benefícios inerentes a um país cuja moeda é aquela considerada a reserva internacional sobrepujam o antigo padrão-ouro, substituído pelo dólar norte-americano em Bretton Woods, que está próximo do seu aniversário de 80 anos. Se a comemoração for em Washington e em Londres, o after-party será em Bejing. A desdolarização segue a nova rota da seda global e lança a moeda chinesa, o RMB, como instituição monetária paralela àquelas tradicionais como o FMI, Banco Mundial e Banco Central Europeu.

Elementos como a desconfiança após as crises de 2008 e 2012, a substituição do dólar pela rúpia indiana pelos parceiros da Índia, pelo real pelos parceiros do Brasil e pelo rublo, pelas nações satélites à Rússia, bem como a ascensão da tecnologia, que facilitou a transação em diferentes moedas, impulsionaram a contestação da moeda norte-americana e a sua hegemonia global. Todavia, o dólar não vai desaparecer.