6 de maio de 2019

A Era Reiwa e os ventos da nova primavera no Japão

Volume 6  |  Número 60  |  Mai. 2019

Por Alana Camoça Gonçalves de Oliveira


Foto: Imagem de Kohji Asakawa por Pixabay


Foi na nova primavera, em um mês belo (rei), 
Quando o tempo estava bom e soprava uma gentil (wa) brisa
As flores de ameixeira desabrocharam em uma linda cor branca 
e na fragrância exalada das orquídeas, sentia-se um doce 
perfume (Man’yoshu. Tradução Interpretativa)

初春の令月にして、気淑く く風和ぎ、
梅は鏡前の粉を披き、蘭は珮後の香を薫らす.


Desde o final do século XIX, o Japão moderno vivenciou cinco transições de Imperador. A primeira foi a Era Meiji (1868-1912), onde o o arquipélago buscou emular tecnologias e instituições ocidentais com o objetivo de fortalecer o país diante de um cenário internacional cada vez mais ameaçador. Afinal, o século XIX foi marcado pelo expansionismo europeu e a queda de seu mais poderoso vizinho: a China.

A segunda Era foi a Taisho (1912-1926), sendo uma das mais curtas. Durante esse período, o Japão se fortalecia econômica, política e militarmente, após suas vitórias na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) e na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). A terceira Era, a mais longa de todas, foi a Showa (1926-1989), onde o Japão viveu profundas transformações. Afinal, enquanto nos anos iniciais o arquipélago consolidou seu expansionismo e a estratégia da “Esfera de Co-prosperidade da Grande Ásia Oriental”[1], pouco depois sofreu sua grande derrota na Segunda Guerra Mundial (GORDON, 2003; PYLE, 2007). 

10 de abril de 2019

Realismo periférico tupiniquim

Volume 6 | Número 59 | Abr. 2019


Por Bernardo Salgado Rodrigues





Hoje, dia 10 de abril, é a marca dos 100 primeiros dias de Jair Bolsonaro na presidência do Brasil. Ainda que esse período inicial não seja tão representativo, se considerado um mandato de 4 anos, ele é simbólico em termos políticos, uma vez que demonstra a orientação desejada pelo governo recém-eleito. 

Nestes termos, a política externa é considerada uma das áreas que possui maior relevância no novo governo, buscando desvencilhar-se de seus predecessores e visando a uma nova geometria de poder nas relações internacionais, dizendo distanciar-se de qualquer viés ideológico em seu discurso. Sob a tutela de Ernesto Henrique Fraga Araújo, diplomata brasileiro e atual ministro das Relações Exteriores, o pêndulo da política internacional brasileira realizou uma rotação de quase 180º, findando em um movimento para a extrema-direita.