26 de novembro de 2014

::Quarta do Especialista:: Superando Sísifo? A África e o sistema interestatal capitalista

Autor convidado: Hélio Farias

  
Mito de Sísifo (Imagem do Blog Tabata Times)
 Reza a lenda grega que Sísifo foi condenado por desafiar os deuses, teria tentado enganar a morte, coisa ingênua num tempo em que os deuses a tudo controlavam. Sua punição: rolar uma imensa pedra ao topo da montanha. Eternamente. Sísifo toda vez que se aproximava de concluir a tarefa, faltava-lhe força e a pedra tornava a descer, o que lhe obrigava a recomeçar todo o trabalho. E sempre assim. Na história do sistema interestatal capitalista, a dissociação entre política e economia parece herdar uma tarefa de Sísifo aos países da periferia. 

O continente africano, depois de mais de quatro séculos de sujeição, em diferentes graus, ao domínio europeu, começa a redesenhar sua própria história. Sua inserção no sistema internacional corresponde há pelo menos três grandes momentos. O primeiro remete ao século XV, ao período de formação e consolidação dos primeiros Estados nacionais europeus. Portugal, Espanha, Inglaterra, Holanda e França lançaram-se aos mares e incluíram a costa africana como base de apoio aos seus poderes ultramarinos. O segundo momento remete ao século XIX, período de forte rivalidade entre as potências europeias e de acirramento das disputas pela ampliação de seus territórios e áreas de influência econômica. O continente africano, alvo da política expansionista, foi dividido e explorado segundo os critérios e interesses dos europeus. A partir da segunda metade do século XX, começa o processo de descolonização e de formação dos Estados nacionais africanos, que, mesmo com as independências políticas conquistadas, foram sugados por formas mais sutis, porém não menos violentas, de dominação política e econômica. E, por fim, o terceiro momento, que, ao que tudo indica, se descortina no início dos anos 2000, onde o crescimento econômico dos países africanos se associa à elevada demanda por recursos minerais e energéticos do leste asiático.






Este texto foi publicado no livro "Diálogos Internacionais: reflexões críticas do mundo contemporâneo". Para continuar lendo este texto, acesse gratuitamente :



Baixe agora o livro:

Um comentário:

  1. Obrigada mestre Hélio por este texto que aumenta nossa compreensão sobre a histórica e em minha opinião danosa presença européia no continente africano sinalizando ciclos que haviam passado despercebido mesmo para pessoas interessadas na região como eu.

    ResponderExcluir