20 de dezembro de 2014

Acho que Cuba não vai mais lançar... ou sobre diversas coisas...

Por Glauber Cardoso Carvalho


Brendan Smialowski/ AFP - do Site Uol Noticias

“O americano já mandou gente pra lua
O russo é muito bom, mas agora está na sua
Até o meu Brasil, já lançou foguete ao ar
Disseram que Cuba lança, eu quero é ver Cuba lançar

Nas grandes potências, dou valor e acredito
O meu Brasil é grande e por isso fez bonito
Agora o cubano começou a anunciar
Que vai lançar foguete, eu quero é ver Cuba lançar.”

As grandes potências
Zé Duarte

Nenhum prognóstico resiste a um míssil.
Edilson Nunes dos Santos Júnior


Neste último despretensioso post antes do Natal, além claro, de desejar aos leitores uma ótima celebração, comento como tantos analistas esperam essa época para colocar cartas na mesa, jogar seus búzios (imagino quanto não seria uma consulta com o Obama para ler sua mão) e tecerem todas as previsões para o ano que vem. As revistas de fofoca fazem isso com as celebridades e as outras com temas “relevantes”
.

Metodologicamente, o tal “futuro que a Deus pertence” pertence também a quem escrever sobre ele. Mas a academia tem um problema com esse tipo de análise, com muito fundamento, diga-se de passagem. Mesmo as teses que apresentam modelos matemáticos com muitos números e formulas usam, em geral, casos do passado. Nem a meteorologia é tão confiável. Como confiar nos nossos cientistas políticos, economistas e relações internacionais? Mas, a quanto tempo o homem está debruçado sobre o seu passado para prever o futuro? O que importa de fato o passado? Como prever o futuro? Questões que, obviamente, só estou levantando.

Maquiavel escreveu algo como “caminham os homens por caminhos já traçados”, mas seu desfecho de vida não foi muito auspicioso. Talvez seu cavalo Médici não tenha sido uma boa escolha. Talvez tenha sido a melhor – Maquiavel entraria para a história e para o rol dos “pais” e dos que conseguiram fazer um manual de procedimentos do governante eficiente, até como precursor clássico das relações internacionais. Foi chute ou ele sabia?

O fato é que fui longe para comentar que Papai Noel, que por hora recebe o nome de Francisco, tem agitado as “redes-socialistas” (adorei a definição da Folha para o Facebook – e também a capa da Veja... imaginação sem fim), não sem razão... e parece ter antecipado um presentinho... se foi para Cuba e seus Castros ou se foi para o próprio Obama o futuro dirá...

O fato é que Obama conseguiu realizar em um mês duas aproximações notáveis do ponto de vista de sua política externa, uma foi englobar a China em torno de um “compromisso” sobre alterações no seu padrão de emissão de gases poluentes. A outra é a questão “walking dead” de aproximação à Cuba, que Obama trouxe em um histórico discurso... sim... discurso... Certamente para nós analistas, incluindo quem vos fala que adora uma análise de discurso por mais inocente e otimista que a fala possa parecer, o discurso é parte integrante de uma cadeia de ações que iniciam ou desembocam de negociações (no caso dos EUA secretíssimas, tanto com Cuba, quanto com a China) e revelam (há ressalvas) mais ou menos três feições: desejos, expectativas mais concretas e linhas de ação. Quando o que se fala é oficializado em texto de um acordo ele fica mais bonito ainda.

Como se sabe, em novembro, os democratas perderam o Senado e continuaram sem a Câmara. E alguns analistas agora veem nessas duas ações posteriores cartadas guardadas para não afetar aquelas eleições de meio de mandato. Guardadas... e retiradas quase ao mesmo tempo? Estranho, não?

Se foi assim tão precavido, Obama deve imaginar que o futuro será combativo para derrogar o embargo no seu alheio Congresso (leia em tom Folha: “e esses socialistas de plantão já comemorando”). Deve, porém, estar nas contas do governo esses movimentos, tanto quanto a necessidade de fazer de sua estadia na Casa Branca um marco por algo além do que a morte do Bin Laden.

O certo é que, dirão alguns, tudo se insere em um movimento maior de disputa hegemônica. Eu prefiro pensar que é melhor todo mundo comendo no mesmo prato, de preferência que eu tenha feito a comida – óbvio que isso não altera a disputa em si. É mais fácil para controlar um amigo amarrado do que um inimigo, ou não?

E o futuro de Obama? E o futuro do capitalismo? E o futuro da China? E o cazzo (diria um professor)!?

Deixarei para outros responderem. Tomara que não ocorram mísseis no caminho.

Mudando de assunto... no espirito natalino...

O presente que o Brasil precisa hoje, de uma mesma estrutura que é o Congresso, é a cassação do sr. Jair Bolsonaro...

Papai Noel, vê se o sr. tem esse presentinho aí!

Boas Festas!

P.S: Esclarecendo: o autor deste post usa a rede-socialista Facebook...

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