10 de janeiro de 2015

Pouco de tudo (ou muito de nada)

- ou ainda, as rapidinhas da semana.

Por Julia Monteath de França












"Ingonyama nengw' enamabala"

Antes de mais nada, peço desculpas aos nossos leitores pelo atraso, mas a semana foi mais rápida que eu. Espero que todos tenham aproveitado as festanças, as comilanças, as bebilanças, os fogos, ou o que quer que tenha escolhido para chegar em 2015.... enfim, que tenham passado bem essa virada!


Indo ao que interessa, mas ainda falando em festa... Pouco antes mesmo do peru de Natal ser servido, como bem apresentado no bem-humorado artigo de Glauber Carvalho, Barack Obama anunciou a retomada explícita das relações diplomáticas com o debilitado Lado Negro da Força, digo, com Cuba. No entanto, mal estourou a champagne e acabaram os fogos da virada, ainda no clima de ressaca, tomou posse um Congresso Nacional nada nada satisfeito com essa estratégia da política externa norteamericana. O Presidente dos Estados Unidos vai ter que enfrentar nessa segunda metade de seu mandato um Congresso, digamos, com um outro olhar sobre o mundo, não só sobre esse assunto, mas divergente também, por exemplo, em questões como o oleoduto Keystone XL, polêmico na área de energia e meio ambiente; a reforma da saúde, o famoso “Obamacare”; a flexibilização da imigração no país... Também já foi assunto de outro post do Diálogos Internacionais, esse jogo político-diplomático característico de nossas democracias, que é tão pouco transparente e que envolve uma série de interesses os quais, muitas vezes, não devem nem ser falados em voz alta. O que se sabe de fato é que o presidente vai ter que encarar não apenas os desafios externos mas, mais duramente ainda, os internos nos próximos dois anos. Para mais sobre como Obama vai lidar com esse obstáculo, teremos que aguardar as cenas dos próximos capítulos...

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E por falar em democracia ocidental (e em ressaca), seu berço se encontra numa situação pouco esplêndida ultimamente. A crise dos mercados financeiros de 2008, que por aqui embaixo foi algumas vezes chamda de “marola”, mais pareceu um tsunami lá pra cima, do outro lado do Atlântico. Ainda nas rebarbas dessa onda, a Grécia, que está prestes a escolher seu novo representante e muitos já apontam que será o candidato do Syriza, um partido radical de esquerda no país – já prevêem os mais desesperados analistas - com certas tendências a se juntar ao Lado Negro. O certo é que o país continua sua saga, procurando seus destroços e tentando se recompor lá pelo centro do Velho Mundo. Essa semana, porém, a Chanceler Alemã disse que estaria disposta a permitir saída do país da zona do Euro (muito embora juridicamente esse movimento não parece ter sido previsto pelo bloco), o que já deixou as bolsas em todo o mundo de cabelo em pé (particularmente, adoro essa personificação!).

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Por falar em destroços, esse período de mais uma volta da Terra ao redor do sol, mais um ano sideral, foi marcado por mais um acidente aéreo do outro lado do mundo, lá pelas bandas do Pacífico. Outro “acidente” das mãos humanas ocorreu essa semana, de novo naquela que é conhecida como a capital do amor. Sobre esse, publicaremos outro post posteriormente. Por ora, fica o lamento por todas as vítimas.

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Já que entramos nas catástrofes com o dedo do homem no meio, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados anunciou nessa quinta a estimativa de que, apenas no primeiro semestre de 2014, mais 5,5 milhões de pessoas precisaram se deslocar em busca de proteção. Desse número, apenas 1,4 milhão chegou (por vontade ou por possibilidade) a cruzar fronteiras nacionais. Com isso, o número total da população necessitando de aassistência do ACNUR chegou a 46,3 milhões. Depois de três décadas, os afegãos deixaram o topo dessa lista por nacionalidades, sendo ultrapassados pelos números de sírios. As outras posições do “5 mais” são todas ocupadas por países africanos - respectivamente, Sudão, Sudão do Sul e República Demcrática do Congo. [1]

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Mas, pra lá com a negatividade e voltando à conciliação esperada desde os tempos da Guerra Fria, nasceu também essa semana a filha de um ícone nacional cubano, Gerardo Hernández! Um dos “cinco heróis” do país, libertado em dezembro, depois de passar 16 anos preso nos Estados Unidos, em uma condenação à prisão perpétua questionável e questionada (aquela velha história de maçãs, bananas, laranjas...) por espionagem junto com os outros quatro do "bando" [2]. A menina foi concebida por inseminação artificial, depois de a possibilidade ser concedida pela Justiça norteamericana, já que a mulher do herói nunca obteve autorização para visitá-lo. Anunciou o portal Cubadebate, em nota, nessa terça-feira: “Às 8 e 30 do Dia de Reis de 2015, ano 57 da Revolução, nasceu em Havana Gema Hernández Pérez, filha de Gerardo Hernández Nordelo e Adriana Pérez O’Connor, a mulher que esperou mais do que Penélope pelo herói da Pátria e de sua vida”.

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E vamos em frente, que atrás vem gente! A semana foi agitada, mas ainda temos 51 pela frente, só esse ano! É vida que segue, num ciclo sem fim – já dizia a música do rei Simba. 

Bom 2015 pessoal!


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[1] O ACNUR apenas ajuda deslocados em países cujos governos solicitam a assistência, por isso, a cifra divulgada não abrange a todos aqueles que são forçados a sair de casa por motivos que justificam o refúgio.


[2] Hernández e os outros quatro integrantes do grupo, René González, Fernando González, Antonio Guerrero e Ramón Labañino foram presos em 1998 e condenados a longas penas nos Estados Unidos quando o FBI desmantelou a rede de espionagem cubana Avispa (Vespa, em espanhol), que atuava no sul da Flórida. Todos admitiram ser agentes do governo cubano “não declarados” nos EUA, mas que seus alvos eram “grupos terroristas de exilados” que conspiravam contra o então presidente Fidel Castro, e não contra o governo americano. Em cuba, eram conhecido como os "cinco heróis", sendo a libertação dos cinco uma demanda simbólica desde então.

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