20 de fevereiro de 2015

E o Oscar vai para... Moniz Bandeira (ops, Nobel)

Por Glauber Cardoso Carvalho

Luiz Alberto Moniz Bandeira é indicado para a seleção do Nobel de Literatura. Foto: Café na Política

O prêmio Nobel é algo muito comovente (diriam alguns, semelhante à torcida para a sua Escola de Samba, seu time de futebol, para o Oscar e para qualquer outra seleção que alguém participe) e causa imediata adesão. Tanto comovente, quanto contraditório. Se não ganho, não necessariamente fui o pior... pode ter sido roubado, comprado... o juiz pode ter sido ladrão... ou, essa eu gosto muito, já tinha um CPF na prova...

O fato é que mesmo não sendo um crente na idoneidade dos julgadores (estou achando o tema tão propício para o ocorrido no Rio de Janeiro...) você, leitor, adora quando seu time vence, sua escola é campeã, você passa na prova, o filme brasileiro concorre ao Oscar e um brasileiro concorre ao Nobel... é automático... dá uma ótima sensação de que o Brasil está participando ativamente da cena internacional, de um tão alto grau de condecoração...

Refiro-me, mais especificamente, à nomeação do professor Luiz Alberto Moniz Bandeira para a seleção do Nobel de Literatura de 2015. O currículo dele é muito extenso... não é o objetivo aqui (na Wiki é possível ler tudo), mas destaco algumas coisas...

Ele é aristocrata (Luiz Alberto Dias Lima de Vianna Moniz Bandeira)... baiano e descendente de Garcia D’Ávila... se graduou em direito, como muitos de sua época (nasceu em 1935), foi militante do PCB, da Polop, foi preso em duas oportunidades durante a ditadura. Estudou intensamente as relações internacionais, revigorou os estudos sobre a Bacia do Prata e sobre as relações do Brasil com os Estados Unidos. Mesmo com essa ficha corrida, ganhou bolsa norte-americana em 77 para fazer um pós-doc por lá, passou pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, pela UERJ e parou titular na UnB, na cadeira de História da Política Exterior, já emérito. Está vivendo na Alemanha, onde o MRE lhe deu o título de Cônsul Honorário em Heidelberg (não sei se recebe remuneração... será?)

Uma questão muito séria, porém, me faz escrever essas linhas... a inveja... uma invejinha leve, colorida (inveja branca está fora de moda!)... fora da brincadeira, seus livros são referência... sua pesquisa histórica deixa qualquer professor da universidade atual sem chão... sua produção é estupenda e reproduzida em muitos idiomas... Ele estuda sobretudo as relações internacionais e tem uma visão histórica privilegiada... precisa saber alguma coisa? de uma referência? só uma citação? leia o Moniz Bandeira...

Gosto muito de toda sua produção, da conclusão de Brasil, Argentina e Estados Unidos, que é, pra mim, o ápice de como fazer uma conclusão tão certeira... mas ressalto uma frase no prefácio do Formação do Império Americano:

Sempre é necessário recordar que, enquanto a constância das palavras tende a estabilizar o conceito, a estratificá-lo, a realidade que o conceito pretende captar modifica-se a cada instante, está em movimento e em contínua mutação, e nenhum conceito pode consolidar-se, na medida em que deve e precisa acompanhar e refletir essa realidade.

Como nem tudo são flores... a realidade... o professor Moniz Bandeira concorre com 258 propostas (aceitar 259 propostas é não ter critério... ninguém é cortado logo de cara???!!!), pois é... e todos seguirão os trâmites da figura abaixo, com a escolha final em Outubro.




E nós já tivemos um brasileiro ganhador do Nobel de Fisiologia / Medicina, em 1960... foi Peter Brian Medawar, que, apesar do nome, nasceu no Rio de Janeiro (pois é!) e o recebeu “for discovery of acquired immunological tolerance”.

Esse post, claro, poderia traçar outros paralelos com outras figuras brilhantes que já foram indicadas para a seleção, poderia também trazer mais detalhes das obras do prof. Moniz Bandeira, mas prefiro apenas indicar que os interessados leiam seus livros... coloco alguns aqui só para referência:

MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto. A Segunda Guerra Fria Geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos - Das rebeliões na Eurásia à África do Norte e ao Oriente Médio. 1ª. ed. Rio de Janeiro/ RJ: Civilização Brasileira, 2013.

_______ . A expansão do Brasil e a formação dos Estados na Bacia do Prata - Argentina, Uruguai e Paraguai (Da colonização à Guerra da Tríplice Aliança). 4ª. ed. Rio de Janeiro/ RJ: Civilização Brasileira, 2012.

_______. Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente (1950-1988). 4ª. ed. Rio de Janeiro/ RJ: Civilização Brasileira, 2011.

_______ . As relações perigosas: Brasil - Estados Unidos (De Collor a Lula, 1990-2004). 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

_______. Geopolítica e política exterior Estados Unidos, Brasil e América do Sul. 2. ed. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2010.

_______. Brasil, Argentina e Estados Unidos Conflito e integração na América do Sul. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

_______. O Governo João Goulart As lutas sociais no Brasil 1961-1964. 8. ed. São Paulo: UNESP, 2010.

_______. Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque). 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2009.

_______. Fórmula para o caos. A derrubada de Salvador Allende (1970-1973). Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2008.

_______. De Martí a Fidel. A revolução e a América Latina. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2009.


P.S.1: Parabéns prof. Moniz Bandeira!
P.S.2: Hoje (20/02) é meu aniversário... Parabéns para mim!!!! Ehhhh (kkkk)


Fontes:

"Nomination and Selection of Literature Laureates". Nobelprize.org. Nobel Media AB 2014. Web. 19 Feb 2015. <http://www.nobelprize.org/nomination/literature>

"Peter Medawar - Facts". Nobelprize.org. Nobel Media AB 2014. Web. 19 Feb 2015. http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1960/medawar-facts.html



Um comentário:

  1. Parabéns aos dois! Adoraria que o Nobel saísse de alguém da nossa área, ficaria levemente metida.

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