13 de abril de 2015

Reflexões sobre uma tese #1

Por Glauber Cardoso Carvalho



Foto: Blog Marco Mello

Pretendi escrever este texto sobre o processo de escrita de tese.

Vamos analisar minha afirmação acima:

“Pretendi” – primeira coisa que um acadêmico faz: pretender. “Pretendo escrever algo original” “Pretendo escrever 500 páginas” “Pretendo decifrar séculos de história” “Pretendo fazer pós-doc em XYZ (fora do país, claro)”.


“escrever” – quesito obrigatório para o acadêmico, ou aquele que está no caminho da investigação. Interessante pensar que muitos passam pela vida e suas escolhas não os fazem escrever mais do que algumas páginas. O inverso é verdadeiro... tem quem escreva muito e não diga nada!

“texto” – pode ser que alguns doutores sejam poetas... conheço alguns... mas a realidade não é essa... o texto deve ser dissertativo, argumentativo, teórico, histórico, baseado em fontes consolidadas, em bibliografia especializada, em entrevistas com renomados nomes, em coleta de dados em universo delimitado (de preferência amplo)... esqueça fazer aquele lindo ensaio até seus... 60 anos...

“processo” – a vida do doutorando... um processo... um caminho sempre em mudança... mudança de objeto, de hipótese, de objetivos, de metodologia, de fontes... O cronograma é um processo à parte. Além disso, há processos mais complicados, como conseguir fontes, conseguir aquele livro na biblioteca, conseguir auxilio para apresentar um paper no exterior...

“tese” – aquele resultado de alguns anos de pesquisa, quase sempre com mais dúvidas do que certezas, resultado de um processo longo de escrita, arguido por uma banca com 5 professores doutores, cuja pretensão é menos um destaque no mundo dos viventes e mais um certificado de Doutor em Alguma Coisa Muito Específica (certificado esse que vai te autorizar a pode estar entre os professores doutores que julgam outros candidatos).



Independentemente do que eu pretendia neste post, acho que não consegui agora (frase que não deve ser dita na banca).

- Não tive tempo suficiente (não me planejei, não ouvi o orientador, não segui meus prazos);

- Não consegui bibliografia específica (queria algo novo e não consegui grandes fontes);

- O tema foi muito abrangente e não teve recorte (culpa do orientador ou eu forcei um pouco);

- Não tive condições financeiras de me dedicar unicamente aos estudos e a bolsa (estou falando de bolsas oficiais, não de bolsa-pai-mãe) é pífia para a manutenção de um estudante (fato!).


Esse post engraçadinho traz uma série de questionamentos e reflexões importantes que voltarão a ser tratados em outros posts, não necessariamente consecutivos, pois é o momento em que me encontro e que me manterei nos próximos três anos... ao fim do qual me espera uma tese cujas definições serão delimitadas com o passar do tempo.

Cabem duas opções de encarar o futuro: uma é leve e ao mesmo tempo crítica, outra é sombria e solitária.

Acho que eu prefiro a primeira opção!

Nenhum comentário:

Postar um comentário