15 de setembro de 2015

Portunhol: a ponte entre o Brasil e a América Latina – texto português/español

Por Wesley S.T Guerra do NEMRI
Publicado originalmente em 02/09/2015 pelo Blog NEMRI/ FESPSP

Imagem do site Prensa-latina.cu

Já desde a colonização o Brasil se diferenciou do resto da América Latina por ser um território português rodeado pelo domínio espanhol; certo que o país também teve parte de seu território invadido por holandeses e franceses e uma grande parte do Brasil pertencia a Espanha conforme o Tratado de Tordesilhas, mas a presença portuguesa foi tão marcante que o Brasil se identificava mais com a metrópole que com os territórios vizinhos.


A vinda da família real portuguesa também foi outro diferencial do Brasil, em quanto grande parte dos países latinos lutavam pela sua independência e constituíam as primeiras republicas do continente, o Brasil se transformou em um reino, sendo o Rio de Janeiro a única capital de um Império Europeu fora da Europa e posteriormente uma monarquia fora do velho continente.

A aproximação do Brasil a América Latina foi lenta, o país não participou das primeiras conferências nem via com bons olhos as articulações entre os países do continente e as tentativas de integração tais como a Doutrina Monroe, o Bolivarianismo e o Panamericanismo. A diplomacia brasileira esteve centrada na Europa (Portugal e Reino Unido) e posteriormente nos Estados Unidos havendo momentos no qual este alinhamento oscilou ao longo da história. A relação com os países latinos foi surgindo aos poucos, principalmente com a Argentina e o México no período no qual o alinhamento com os Estados Unidos se debilitou e a diplomacia brasileira adotou uma postura mais aberta. Por outro lado os países latinos foram aos poucos adquirindo maior representatividade no panorama político e econômico mundial, prova disso é a criação da CEPAL. O Brasil buscou a liderança regional se consolidando no continente como líder dos países latinos, liderança esta ora forte ora bastante tênue, sendo a diplomacia brasileira a principal estratégia do governo na região, já a relação real entre o Brasil e os países vizinhos sempre foi bastante apagada, sendo reservada á esfera política e diplomática.

A abertura ao comércio exterior e a criação do Mercosul em 1991 e finalmente do UNASUL (2008)  promoveu uma maior proximidade entre os países e um maior intercâmbio comercial e cultural.

Aos poucos os brasileiros vão conhecendo esses desconhecidos vizinhos de longa data cuja relação anteriormente se dava apenas na esfera da política e da diplomacia e se surpreendem ao ver as fortes semelhanças que existem entre os países latinos e o Brasil, os mesmos problemas, inquietudes e oportunidades.

O turismo brasileiro na América Latina cresceu vertiginosamente nos últimos 15 anos, promovendo uma aproximação a países como Peru, Uruguai, Chile, Colômbia, Panamá, México, Costa Rica, Cuba e Argentina (Sendo está o 2º maior destino Brasileiro).

Ainda assim menos de 2% da população Brasileira fala espanhol, embora existam importantes comunidades latinas no Brasil tais como: peruanos, bolivianos, venezuelanos, paraguaios, argentinos e uruguaios. O Brasileiro médio prioriza o estudo do inglês antes do espanhol o que mostra o tão profundo que é esse abismo histórico entre as relações do Brasil com o resto da América Latina, principalmente se pensamos que a Espanha é o 2º maior sócio do Brasil e que o Mercosul representa uma fatia importante para as importações e exportações brasileiras.

Nesse panorama, uma comunidade expressiva de falantes faz a ponte entre o Brasil e o resto da América Latina, são os falantes do Portunhol, uma mistura de português e espanhol que se consolidou nas áreas de fronteira principalmente a do Uruguai, havendo hoje um projeto do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai para que o dialeto seja reconhecido como patrimônio cultural pela Unesco; o portunhol também já foi defendido por escritores como o Nobel de Literatura Saramago, mas este relacionado ao Iberismo e a união entre Portugal e Espanha.  O portunhol é a prova que sempre é possível criar pontes e gerar entendimento, quando existe vontade e cooperação, sendo esta uma lição para todo o Brasil como nação LATINA.


VERSIÓN EN ESPAÑOL 

Brasil siempre fue visto como el hermano raro en América Latina, a pesar de que no sea el único país que habla otro idioma que no sea el castellano (al final el francés también es hablado y existen en el continente otras lenguas no latinas como el Inglés y el Holandés) el pasado histórico de Brasil siempre fue marcado por la distancia en relación a los demás países.

Ya desde la colonización Brasil se distinguió del resto de Latinoamérica por ser un territorio portugués rodeado por el dominio español; cierto que el país también tuvo parte de su territorio invadido por los holandeses y franceses y una gran parte de Brasil pertenecía a España conforme el Tratado de Tordesillas, pero la presencia portuguesa fue tan importante que Brasil se identificaba más con la metrópolis que con los territorios vecinos.

La llegada da familia real portuguesa también fue otra diferencia de Brasil, mientras que gran parte de los países latinos luchaban por su independencia y constituían las primeras republicas del continente, Brasil se transformó en un reino, siendo  Rio de Janeiro la única capital de un Imperio Europeo fuera da Europa y posteriormente sede de una monarquía fuera del viejo continente.

La aproximación de Brasil y América latina fue lenta, el país no participó de las primeras conferencias ni veía con buenos ojos las articulaciones entre los países del continente y los intentos de integración tales como la Doctrina Monroe, el Bolivarianismo y el Panamericanismo. La diplomacia y política brasileña estaba centrada en Europa (Portugal y Reino Unido) y posteriormente en los Estados Unidos habiendo momentos en los cuales ese alineamiento osciló a lo largo de la historia. La relación con los países latinos fue surgiendo a los pocos, principalmente con a Argentina y México en el período en el que el alineamiento con los Estados Unidos se debilitó y la diplomacia brasileña adoptó una postura más abierta. Por otro lado los países latinos fueran poco a pouco adquiriendo mayor representatividad en el panorama político y económico mundial, prueba de ello es la creación de CEPAL. Brasil buscó el liderazgo regional consolidándose en el continente como líder de los países latinos, liderazgo este algunas veces fuerte otras bastante tenue, siendo la diplomacia brasileña la principal estrategia del gobierno en la región, ya la relación real entre Brasil y los países vecinos siempre fueron bastante apagadas, siendo reservada a la esfera política y diplomática.

La apertura al comercio exterior y la creación del Mercosur en 1991 y finalmente del UNASUR (2008)  produjo una mayor proximidad entre los países y un mayor intercambio comercial y cultural.

A los pocos los brasileños van conociendo a esos desconocidos vecinos de hace tiempo cuya relación anteriormente era apenas en la esfera política y diplomática y  se sorprenden al ver as fuertes semejanzas que existen entre los países latinos y Brasil, los mismos problemas, inquietudes y oportunidades.

El turismo brasileiro en América Latina creció vertiginosamente en los últimos 15 años, promoviendo una aproximación a países como Perú, Uruguay, Chile, Colombia, Panamá, México, Costa Rica, Cuba y Argentina (Siendo está el 2º mayor destino Brasileño).

Aún así menos del 2% de la población brasileña habla castellano, aunque existan importantes comunidades latinas en Brasil tales como: peruanos, bolivianos, venezolanos, paraguayos, argentinos y uruguayos. El Brasileño medio prioriza estudiar inglés antes del castellano lo que demuestra lo profundidad que existe en ese abismo histórico entre las relaciones de Brasil con el resto de América Latina, principalmente si pensamos que España es la 2º mayor socia económica de Brasil y que el Mercosul representa una parcela importante para las importaciones y exportaciones brasileñas.

En ese panorama, una comunidad expresiva de hablantes forma un puente entre  Brasil y el resto de Latino América, son los hablantes del Portuñol, una mezcla del portugués y español (castellano) que se consolidó en las áreas de frontera principalmente de Uruguay, habiendo hoy un proyecto del Ministerio de Educación y Cultura de Uruguay para que el dialecto sea reconocido como patrimonio cultural por la Unesco; el portuñol ya fue defendido por grandes personalidades como el escritor y ganador del Nobel Saramago, pero este está ligado al Iberismo y la unión entre España y Portugal.  El portuñol es la prueba de que siempre es posible crear puentes y generar comprensión, cuando existe voluntad y colaboración, siendo esta una lección para todo  Brasil como nación LATINA.


Fontes/Fuentes:

SANTOS, Theotonio. Doutrina Monroe vs. Bolivarismo, 2013, Rio de Janeiro.

GLOBO, Karla. As mudanças na relação Brasil-América Latina, 2010, São Paulo.

Instituto Cervantes – Espanhol no Brasil. 2006, São Paulo.

Ministério de Educação e Cultura do Uruguai – Comissão de estudos do Portunhol. 2015, Montevidéu.




O NEMRI (Núcleo de Estudos Multidisciplinar em Relações Internacionais) é composto por alunos e ex-alunos do curso de pós-graduação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP). Para maiores informações, acesse site https://nemrisp.wordpress.com/ , facebook https://www.facebook.com/nemrisp, e twitter https://twitter.com/nemrisp.

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